Resenhas

Claire Fraser destruindo o patriarcado desde 1743

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Eu nunca fui fã de filmes, séries e livros de época, sempre procurando passar longe desse gênero. Não porque eu ache as histórias ruins ou algo do tipo, até porque nas poucas vezes que eu me deixei assistir ou ler histórias de época, eu sempre gostei. Esse afastamento se deve ao modo como as mulheres são, de modo geral, retratadas nesse universo: como seres de porcelana, frágeis e que só servem de apoio emocional para o homem.

A maioria das histórias que se passam antes do século XX mostra uma mulher submissa, que muda totalmente o seu jeito para, assim, agradar o seu companheiro. Ela muda completamente a sua vida para se tornar o apoio emocional de seu par romântico, perdendo completamente a sua personalidade. Na verdade é fato que nós não precisamos ir tão para trás assim para vermos esse padrão, mas é algo mais aberto nesse tipo de história.

Por esse motivo, fiquei com um pé atrás quando me apresentaram Outlander. A história de uma mulher que sai de um ambiente opressor (1945) para ir a um mais retrógrado ainda (1743) não me pareceu muito atraente. Mas estavam falando tão bem que minha curiosidade venceu e, assim, resolvi ler o primeiro livro e, logo em seguida, assistir a primeira temporada. E eu agradeço imensamente por isso.

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Primeiro vamos falar um pouco sobre o plot principal da série/livro. Claire é uma enfermeira que atuou na guerra de 1945 e está de férias com seu marido, Frank Randall, na Escócia. Lá ela acaba voltando no tempo em 200 anos, se encontrando em 1743. Perdida e sem saber o que aconteceu ela conhece Jamie Fraser. Espera-se que, a partir daí, toda a história seja um grande clichê: Jamie será seu cavaleiro, que irá protegê-la de tudo e de todos e ela irá obedecê-lo em tudo.

Em partes, isso está certo. Jamie e Claire se apaixonam e vivem uma grande história de amor. Jamie realmente jura que irá protegê-la de tudo e de todos, colocando sua vida em risco para fazer tal coisa. O surpreendente e o que prende os espectadores e torna essa série/livro tão especial é o fato que Claire Randall (agora Claire Fraser) não abaixa a cabeça em nenhum momento, muito pelo contrário: sua personalidade forte se torna ainda mais marcante e um dos motivos pelo qual Jamie é tão apaixonado por ela.

Sabemos que ser mulher, ainda hoje em dia, não é fácil. Em 1945 era ainda mais difícil, entretanto, as mulheres já experimentavam de certa liberdade. Em 1743, a realidade era completamente diferente e as mulheres eram completamente submissas ao homem. Claire desafia todos esses preconceitos e estereótipos, mostrando-se uma mulher forte, de ideias concretas e que deixa bem claro seu ponto de vista, lutando por aquilo que acredita.

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Jamie, em contrapartida, não se mostra o brutamonte que esperaríamos de um homem do século 18. Muito pelo contrário: ele tem um respeito enorme por Claire, pelo seu passado e pela sua vivência. Os dois, juntos, mostram o quão saudável uma relação pode e deve ser. Claro, eles têm suas brigas e muitas delas se dão ao fato da independência de Claire, mas isso já era de se esperar e logo Jamie começa a perceber que o jeito dele não é tão correto como ele esperava.

Também é importante lembrar que, embora a série possua diversas cenas de nudez, sexo e guerra, diferentemente de outras produções, tudo é feito de modo excepcional e tem um peso significativo para o andar da história. Essas cenas não estão lá apenas para objetificar e hipersexualizar o corpo da mulher e não são um meio de alcançar um público maior. Todas as cenas são, de fato, importantes para o plot e o envolvimento dos personagens uns com os outros.

Além de Claire, temos diversas outras personagens femininas fortes. Geillis Duncan, por exemplo, é uma mulher conhecida por sua excentricidade. Jenny Fraser Murray, irmã de Jamie, mostra sua independência e luta pelos seus ideais de modo extraordinário. De modo geral, Outlander nos apresenta personagens femininas sem estereótipos e tudo isso com uma vibe medieval, o que deixa tudo melhor.

Neste último domingo (10/09) estreou o primeiro episódio da terceira temporada da série. Caso você tenha se sentido atraída pela história e por seus personagens, ainda dá tempo de assistir e acompanhar a nova temporada! E não se esqueça: lute contra o patriarcado assim como Claire o faz desde 1743.

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