Análises

Feminicídio: como o machismo mata todos os dias

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De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública, acontece 1 feminicídio a cada 4 dias em São Paulo. No Brasil, segundo o Ministério Público, são mais de 8 casos por dia. Ou seja, oito mulheres morrem diariamente por serem mulheres. Afinal, é isso que caracteriza o feminicídio: quando uma mulher é assassinada pela condição de ser mulher.

Esses números assustadores indicam que, além de aterrorizar, humilhar e oprimir, o machismo também mata diariamente. E de maneira cruel. Não há nada de passional nesses crimes. Um homem que mata uma mulher, geralmente a sua companheira, não carrega paixão em seus atos. Carrega desprezo e prazer em subjugar e controlar mulheres. Feminicídio é sobre controle: o homem controla a vida e, por fim, a morte da mulher. Feminicídio é um crime de ódio instigado pela misoginia, sem mais, nem menos.

Trata-se, infelizmente, de um absurdo global. Incentivado pelo machismo e pela ideia de que as mulheres são biologicamente e socialmente inferiores aos homens, esse crime ficou às sombras durante muitos anos. Mesmo com o termo “feminicídio”, criado na década de 70 afim de tipificar a violência sistemática contra mulheres que culmina em diversas mortes, os frequentes assassinatos femininos ainda se atenuam aos olhos da sociedade.

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No Brasil, o quinto país com maior número de homicídios femininos em um ranking de 83 nações, mais de 63% das mulheres são mortas em suas casas. Isso acontece porque a mulher, para o seu parceiro, nada mais é que um objetivo submisso. Ela tem que obedecer, cuidar dos filhos, da casa e só. Quando algo não está de acordo com as vontades do homem, não há preocupação em assassiná-la. Violência doméstica é rotineiro. A sociedade permite, incentiva, não vê problemas.

E há quem vá dizer: “como a sociedade fecha os olhos para esses crimes se o feminicídio está no Código Penal Brasileiro?”. É verdade que o feminicídio, desde 2015, está previsto em nossa legislação como circunstância qualificadora do crime de homicídio, se equiparando ao estupro, genocídio e latrocínio.

Essa foi uma grande vitória feminista, não há dúvidas, mas culpar e prender quem comete essas atrocidades é só a ponta do iceberg. Nós queremos é que o machismo pare de nos matar. Que parem de nos enxergar como item dispensável para uso pessoal.

A lei é importante, sim, mas ela não impede que o feminicídio aconteça. Homens vão continuar matando mulheres enquanto o patriarcado permitir. Portanto, queridos homens, leis para a proteção da mulher, como a Lei Maria da Penha e a própria Lei do Feminicídio, não são regalias femininas. Elas só existem porque vocês fazem com que elas sejam necessárias!

Portanto, já passou da hora dos homens repensarem certas atitudes. O machismo de cada dia mata milhares de mulheres e todos os machistas tem sim a sua parcela de culpa.

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